Pensar como um cientista político

Hoje descobri o livro “Thinking like a political scientist“ de Christopher Howard. Ainda não o li, mas já o encomendei e com um pouco de sorte a Amazon vai trazé-lo já na próxima semana. O que chamou a minha atenção foi esta recensão no LSE Review of Books. Na parte mais interessante da recensão o autor, o politólogo Iván Farías Pelcastre, escreve que o livro está dividido em duas partes: “fazer boas perguntas” e “obter boas respostas”.
“The book is divided into two main parts: ‘Asking Good Questions’ and ‘Generating Good Answers’. In Part One, the author introduces readers to the significance and value of asking – and confidently answering – the three main questions underlying any worthy political research: ‘who cares?’; ‘what happened?’; and ‘why?’ (…) In Part Two, meanwhile, the author provides a short guide to some of the most common and essential tasks of political scientists, including how to choose an appropriate research design; how to choose and conduct experiments to test a given hypothesis; how to select suitable cases; and how to use evidence to adequately support one’s arguments and hypotheses.”
O que há de tão interessante nisso? Não é trivial afirmar que a investigação científica consiste em perguntas e respostas? Aparentemente não. Basta olhar para uma amostra aleatória de trabalhos de estudantes para ver que são precisamente estes dois elementos essenciais da investigação científica – boas perguntas e boas respostas – que muitas vezes estão ausentes neles. O que é que leva um aluno a escrever um trabalho de investigação sem uma pergunta bem definida?
 
A resposta está no título do livro de Christopher Howard, “Thinking like a political scientist”. Aparentemente, muitos estudantes na área das políticas públicas [e não só] têm dificuldades em deixar de pensar como um “aluno” e começar a pensar como um “cientista”. Em vez de procurar perguntas para as quais ainda não existem respostas, contentam-se com a reprodução daquilo que já é conhecido. O ensino superior, nesta perspectiva, é pouco mais do que uma continuação linear do ensino secundário. Da perspectiva do “aluno”, a acumulação de conhecimento já existente é vista como um fim em si mesmo. Para o “cientista”, por outro lado, o conhecimento só interessa quando traz algo de novo. E isso envolve dois passos: 1) identificar uma pergunta para a qual ainda não há resposta, e 2) encontrar essa resposta através duma análise sistemática e estruturada do conhecimento existente.
 
Obviamente, pensar como um cientista é intelectualmente exigente. É um desafio para os docentes e as universidades incentivar os estudantes a dar esse passo. O livro de Christopher Howard pode ser uma ajuda. É pena ser em inglês e não em português.

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